Em 2012, cinco toneladas de celulares vão para o lixo

Pesquisa da Fundação Santo André, no ABC paulista, revela que 4.770 toneladas de celulares, incluindo baterias e carregadores, serão descartadas nos aterros sanitários do País neste ano. Em 2013, o montante chegará a 7.500 toneladas. Os números foram obtidos com base em levantamento de vendas em 2010 e projeções de empresas especializadas sobre a vida útil dos aparelhos.

De acordo com a engenheira ambiental Nathália de Carvalho Aiolfi, que realizou o estudo, em 2010 foram vendidos 48 milhões de aparelhos, com peso médio de 100 gramas. “A vida útil é de dois a três anos e hoje existe muita dificuldade no descarte deste material. Grande parte vai para o lixo comum”, afirma. No Estado de São Paulo são registrados 136 celulares a cada 100 habitantes. Em outubro de 2011 foram vendidos 57 mil aparelhos, aumento de 11,2% em relação ao mesmo período de 2010.
Segundo a pesquisadora, apesar do crescimento da venda de celulares no Brasil, e do rápido descarte de aparelhos, não há soluções adequadas para o descarte. Em 2011 foi estabelecida pela Comunidade Europeia norma que padroniza os carregadores de celulares a partir deste ano. “Essa foi uma importante medida que em breve poderá ser copiada pelo Brasil. Porém, um dos principais problemas é o descarte da bateria no lixo comum. Elas contêm metais pesados como lídio e cádmio e, quando vazam, poluem os lençóis freáticos”, destaca o professor Enio Borba Carli, coordenador da pesquisa.

O estudo conclui que não existem políticas públicas nem empresas especializadas na reciclagem de celulares que permitam garantir a ausência de impacto ambiental gerados pelos componentes tóxicos presentes na bateria e em outras peças dos celulares.

Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 e em vigor desde o ano passado, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são responsáveis pelo ciclo de vida dos produtos. A legislação também cria obrigações para os órgãos públicos de limpeza urbana e para os consumidores. Todos estão sujeitos a multas pelo não cumprimento da norma. As infrações variam de R$ 500 a R$ 10 milhões.

A nova lei obriga as indústrias e toda sua cadeia de fornecimento a gerenciar esses materiais, adotando medidas para a destinação correta e implementação de coletas seletivas. Os consumidores também são obrigados a cumprir a legislação, devolvendo seu lixo eletrônico para a indústria.

http://www.dgabc.com.br/


Deixe uma resposta