Sopa e Pipa geram maior protesto online da história da internet

As estimativas variam entre sete mil e dez mil sites participantes do blackout contra os projetos Stop Online Piracy Act (Sopa) e Protect Intelectual Property Act (Pipa), em tramitação na Câmara e no Senado estadunidenses. Portais de penetração mundial como a enciclopédia Wikipedia, a rede social Reddit, a plataforma de blogs WordPress, o site do Greenpeace, e também sites brasileiros, como as páginas do Instituto de Defesa ao Consumidor (Idec), do músico e ex-ministro Gilberto Gil e da revista ARede, integraram o movimento. Outros, como o Google e a revista Wired, usaram tarjas pretas para marcar o protesto.

“Querem transformar a internet em uma grande rede de TV a cabo”, disse o sociólogo Sérgio Amadeu, que também é conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Segundo Amadeu, os projetos afetam também os internautas brasileiros, uma vez que estes não terão acesso às páginas consideradas ilegais em sites estadunidenses como Google e Facebook. “Qualquer site brasileiro que for acusado sob as regras do Sopa ou do Pipa também será bloqueado para visualização nos EUA, como a China faz”, afirmou. Ele lembra que, no Brasil, existe um projeto de lei conhecido como AI-5 Digital, de autoria do senador Eduardo Azeredo, que prevê medidas semelhantes, assim como em outros países, como a lei Sinde, na Espanha, e a lei Hadopi na França.

Facebook e Twitter não participaram do blackout. Mas Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, postou em seu perfil na rede social sua posição contra os projetos: “A internet é a ferramenta mais poderosa que temos para criar um mundo mais aberto e conectado. Não podemos deixar que leis mal pensadas fiquem no caminho do desenvolvimento da web. O Facebook se opõe ao Sopa e ao Pipa, e continuaremos a se opor todas as leis que podem prejudicar a rede”.

O presidente da Comissão de Justiça da Câmara dos EUA, Lamar Smith, e um dos autores do Sopa, criticou o protesto, afirmando que o “apagão” do Wikipedia e de outros sites é “um golpe publicitário (que) presta um deserviço aos seus usuários ao promover o medo ao invés dos fatos”. O próprio congressista foi acusado de violar direitos autorais ao não dar créditos a fotos em seu site.

Ambos os projetos de lei estavam previstos para votação na próxima terça-feira (24), mas há relatos de que a votação do será adiada após a proposta perder o apoio da Casa Branca. “Qualquer esforço para combater a pirataria online deve proteger o cidadão da censura de atividades legais e não deve inibir a inovação entre grandes e pequenas empresas”, afirmaram três assessores do presidente Barack Obama no blog da Casa Branca. O autor do Pipa, senador Patrick Leahy, afirmou que consideraria retirar as partes mais polêmicas ds proposta. Hoje, diante do apagão, o senador Marco Rubio, co-autor do Pipa, tirou seu nome do projeto. Ben Quayle, co-autor do Sopa, havia retirado seu nome do projeto ontem. (Da redação, com informações de Georgia Jordan, do Tele.Síntese)


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